1o
hygge
Dinamarquês
aconchego construído de propósito
Nomeia a sensação específica de segurança afetiva em ambiente fechado, que o português só descreve por rodeios.
Ranking · 32 palavras
Sentimentos que todo mundo já teve e que outros idiomas resolveram batizar.
Selecionamos termos que descrevem estados internos, não objetos nem hábitos. A posição leva em conta a precisão do sentimento descrito e a frequência com que a experiência acontece na vida de qualquer pessoa.
Discorda de uma posição? Os argumentos de cada colocação estão abaixo, e a metodologia explica o cálculo.
1o
Dinamarquês
aconchego construído de propósito
Nomeia a sensação específica de segurança afetiva em ambiente fechado, que o português só descreve por rodeios.
2o
Russo
angústia profunda, sem causa identificável
É o caso mais forte do acervo: nomeia um estado que o português distribui entre quatro palavras imprecisas.
3o
Japonês
a melancolia serena diante da passagem das coisas
Descreve um sentimento reconhecível e sem nome em português, que só conseguimos indicar por perífrase.
HÍ-raiz (o th final é o som do inglês think)
falta dolorida de um lar que não se pode recuperar
A saudade galesa de um lugar que talvez nunca tenha existido como a memória o guarda: falta, luto e pertencimento na mesma palavra.
Curiosidade A construção da frase em galês trata o sentimento como algo que está sobre a pessoa, e não como algo que ela tem, detalhe gramatical que reforça a ideia de peso.
Descreve uma falta que o português confunde com saudade comum, sem marcar a diferença.
ma-mi-la-pi-na-ta-PÁI
o olhar trocado por duas pessoas que querem algo e esperam que o outro comece
Um olhar silencioso entre duas pessoas, cada uma esperando que a outra proponha o que ambas desejam: registrada como uma das palavras mais concisas do mundo.
Curiosidade O Guinness Book já registrou a palavra como uma das mais sucintas do mundo, pela quantidade de sentido em um único termo.
Nomeia um estado compartilhado por duas pessoas, e não um sentimento individual.
CHÁ-den-froi-de
alegria sentida com o azar de outra pessoa
O prazer discreto de ver alguém antipático escorregar: um sentimento que quase todos conhecem e que o português nunca batizou.
Curiosidade Existem termos próximos em outras línguas, como o grego epicairekakía, registrado desde a Antiguidade, mas foi a forma alemã que se internacionalizou.
É o exemplo mais citado de emoção universal sem nome em português, e um dos poucos casos em que o empréstimo já circula entre brasileiros.
GHÍ-guil
o impulso de apertar algo insuportavelmente fofo
Aquela vontade de esmagar a bochecha de um bebê ou de apertar um filhote: uma reação conhecida da psicologia e batizada no tagalo.
Curiosidade Psicólogos chamam o fenômeno de agressão cuty ou agressão fofa e o interpretam como forma de regular emoções positivas muito intensas.
Nomeia um impulso físico que praticamente todos já sentiram e que o português nunca classificou.
FÉRN-vê
saudade de lugares onde nunca se esteve
O contrário exato de saudade de casa: a dor de não estar longe, sentida por quem nunca visitou o lugar que lhe falta.
Curiosidade O termo é atribuído ao príncipe Hermann von Pückler-Muskau, autor de textos de viagem do século 19, e nasceu portanto na literatura antes de cair no uso comum.
Nomeia um estado que milhões de pessoas sentem em frente a fotos de viagem e que só conseguimos indicar por rodeios.
rran (o h é aspirado, próximo do r inicial carioca)
mágoa coletiva acumulada, misturada com resistência
Um sentimento nacional coreano de injustiça sofrida e não resolvida, que combina tristeza, ressentimento e a força de continuar mesmo assim.
Curiosidade O gênero musical pansori e o estilo vocal do trot são frequentemente descritos como veículos de han.
Nomeia um estado emocional compartilhado por um grupo, categoria inexistente no nosso vocabulário afetivo.
ic-tsu-ÁR-poc
a impaciência de quem sai para ver se a visita já chegou
Aquela expectativa que faz você olhar pela janela de dois em dois minutos esperando alguém: no Ártico canadense, isso é uma palavra só.
Curiosidade Circula a afirmação de que o inuktitut teria dezenas de palavras para neve; a formulação correta é que a língua permite criar muitas palavras derivadas, o que é diferente de ter dezenas de termos independentes.
Nomeia uma experiência banal e diária que o português só descreve com uma cena inteira.
VÉLT-chmerts
a dor de perceber que o mundo real nunca será o mundo ideal
O cansaço melancólico de quem compara o mundo como ele é com o mundo como poderia ser e sente o tamanho da diferença.
Curiosidade A palavra atravessou para o inglês e é usada em crítica cultural sem tradução, sinal de que nenhuma língua vizinha encontrou substituto.
Dá nome a um estado comum entre pessoas informadas e sem vocabulário próprio em português.
TÔR-chlus-pâ-nic
pânico de que as oportunidades da vida estejam se fechando
A sensação de correr contra o relógio biológico e social, batizada com a imagem do portão da cidade se fechando ao anoitecer.
Curiosidade Em alguns registros mais antigos, o termo aparecia ligado ao xadrez e ao jogo, com o sentido de fechar posições antes do fim da partida.
Nomeia com precisão uma ansiedade extremamente comum a partir de certa idade.
SÍ-su
determinação teimosa diante do que parece impossível
A força que aparece depois que a força normal acabou: persistência obstinada tratada como traço nacional finlandês.
Curiosidade Existe pesquisa acadêmica finlandesa dedicada a medir o conceito, com questionários que separam persistência construtiva de obstinação prejudicial.
Nomeia um estado interno de resistência que o português só descreve por metáforas como força de vontade.
KÍ-lig
o arrepio de borboletas no estômago causado por alguém
A eletricidade que passa pelo corpo quando a pessoa de quem você gosta se aproxima: no tagalo, isso tem nome e é usado todos os dias.
Curiosidade O termo entrou no Oxford English Dictionary em 2016, junto com outras palavras do inglês filipino, o que documenta sua circulação internacional.
Nomeia um estado físico e afetivo reconhecível, que o português descreve por comparação.
iá cab-BÚR-ni
que você me enterre: espero morrer antes de você
Uma declaração de amor construída como desejo de morrer primeiro, para não ter de viver a ausência da outra pessoa.
Curiosidade A expressão é mais comum em dialetos do Levante e aparece em canções e novelas como marca de afeto familiar.
Nomeia o medo de sobreviver a quem se ama, sentimento comum e sem fórmula própria em português.
NÁ-rres (o ch é raspado na garganta)
orgulho alegre pelas conquistas dos filhos
O prazer específico de quem se orgulha do sucesso de outra pessoa — normalmente um filho ou neto — e sente isso como recompensa própria.
Curiosidade O termo é usado em inglês americano sem tradução, um dos muitos empréstimos do ídiche que entraram na língua pelo humor e pela literatura.
Nomeia um prazer indireto, sentido por meio do sucesso de outra pessoa.
cu-chi-sa-bi-SHÍI
boca solitária: comer só para ter algo na boca
O estado de mastigar sem fome, por tédio ou inquietação, descrito como uma carência da própria boca.
Curiosidade A palavra é citada em campanhas antitabagismo japonesas para explicar a recaída por hábito oral, e não por vício químico.
Dá nome a um desconforto pequeno e frequente que o português não classifica.
TÁ-rab
êxtase provocado pela música
O estado de arrebatamento coletivo em que músico e plateia entram juntos: um conceito estético central na música árabe clássica.
Curiosidade Nos concertos clássicos árabes, a plateia participa com exclamações durante a música, comportamento que faz parte do ciclo do tarab e não é considerado interrupção.
Nomeia uma emoção coletiva e situada, categoria que o português não cobre com substantivo próprio.
VÁLD-ain-sam-kait
a solidão boa de estar sozinho na floresta
O estado de quem está só no meio das árvores e sente paz em vez de abandono: solidão como recompensa, não como falta.
Curiosidade O poeta norte-americano Ralph Waldo Emerson escreveu um poema com este título em alemão, sem traduzi-lo, por não encontrar equivalente em inglês.
Descreve um estado interno específico que o português trata como ausência de companhia, e não como experiência positiva.
es-PRÍ de les-ca-LIÊ
a resposta perfeita que só aparece depois que a conversa acabou
Literalmente espírito da escada: a réplica brilhante que chega quando você já saiu da sala e está descendo os degraus.
Curiosidade O alemão criou um decalque da expressão francesa, Treppenwitz, que hoje mudou de sentido e designa uma ironia do destino.
Nomeia a frustração específica de ter pensado a resposta certa fora de hora.
de-pê-is-MÃN
o estranhamento de estar fora do próprio país
A sensação de deslocamento de quem está em outro lugar e percebe que nada funciona como em casa — às vezes desconfortável, às vezes exatamente o que se buscava.
Curiosidade A palavra pode ser usada sem viagem alguma: mudar de bairro ou de ambiente de trabalho pode provocar dépaysement.
Nomeia um estado que brasileiros descrevem como estar perdido, sem marcar que ele pode ser desejável.
KÚ-ssê-li (o g final praticamente não soa)
que produz bem-estar caloroso
A versão norueguesa do aconchego, aplicada a lugares, pessoas e até a conversas que deixam o corpo relaxado.
Curiosidade No inverno norueguês, com dias muito curtos, koselig se aplica sobretudo à luz: velas e lâmpadas amarelas são consideradas indispensáveis.
Nomeia o conforto percebido em uma situação, não o sentimento de quem a vive, distinção que o português não marca.
TÁR-tol
hesitar ao apresentar alguém porque esqueceu o nome da pessoa
Aquele microssegundo de pânico em que você vai apresentar alguém e o nome simplesmente não vem. O scots tem verbo para isso.
Curiosidade A palavra é a favorita de listas de termos intraduzíveis porque nomeia um constrangimento universal que nenhuma língua grande resolveu batizar.
Nomeia um desconforto momentâneo e muito preciso, sem equivalente em português.
re-tru-VÁI
a alegria do reencontro depois de muito tempo
A palavra francesa para o momento de rever alguém que estava longe — não o encontro em si, mas a emoção que ele produz.
Curiosidade O português tem reencontro, mas a palavra nomeia o fato, não a carga afetiva; em francês, dizer retrouvailles já anuncia a emoção.
Marca um sentimento positivo bem delimitado que costumamos descrever com adjetivos, não com nome próprio.
tsun-DÓ-cu
o hábito de acumular livros comprados e não lidos
A pilha de livros que você comprou com a melhor das intenções e nunca abriu — com nome próprio e sem julgamento moral.
Curiosidade O termo se espalhou fora do Japão por listas de palavras intraduzíveis e hoje é usado por leitores de vários países em redes sociais.
Nomeia a mistura de culpa e esperança de quem olha para a estante e vê planos pendentes.
gue-MÜT-lich-kait
clima de conforto, calma e boa companhia
O aconchego alemão: ambiente tranquilo, gente boa em volta e nenhuma pressa, sem depender de velas nem de decoração.
Curiosidade O conceito é tão associado à Baviera que aparece em cartazes e canções de festas populares, como sinônimo de hospitalidade.
Nomeia um clima coletivo, e não um sentimento individual, categoria que o português não marca com substantivo próprio.
me-RÁ-ki
fazer algo colocando a própria alma no trabalho
A entrega criativa de quem cozinha, constrói ou escreve deixando parte de si no resultado — e que se percebe no produto final.
Curiosidade O grego tem também meraklís, a pessoa que age com meraki, usada como elogio para quem faz bem feito por gosto próprio.
Nomeia o estado de envolvimento afetivo durante a execução de uma tarefa.
i-ki-GÁI
aquilo que faz valer a pena acordar
A razão de viver em escala cotidiana: pode ser um trabalho, mas também um neto, um jardim ou uma rotina de pesca.
Curiosidade O famoso diagrama de quatro círculos que cruza paixão, missão, profissão e vocação não é japonês: foi criado fora do Japão e associado à palavra depois, a partir de um esquema sobre propósito.
Nomeia a sensação diária de ter um motivo, e não o objetivo abstrato de uma vida.
CÚ-mer-chpek
o peso ganho comendo por tristeza
Literalmente bacon da mágoa: os quilos acumulados em uma fase ruim, com nome próprio e um tom de humor autoirônico.
Curiosidade O alemão tem uma família de compostos com Speck para diferentes causas de ganho de peso, entre eles Urlaubsspeck, o das férias, e Winterspeck, o do inverno.
Não é uma emoção em si, mas a marca corporal deixada por uma delas.
kútch
abraço que funciona como abrigo
Uma palavra galesa sem vogal aparente que significa ao mesmo tempo abraço apertado e lugar seguro para guardar algo.
Curiosidade A palavra é usada com naturalidade por galeses que não falam galês, em frases inteiramente em inglês, e é um dos maiores símbolos de identidade linguística da região.
Nomeia o gesto que oferece segurança, e não o sentimento de quem o recebe.
sau-DÁ-de
a presença da falta de alguém ou de algo
A palavra mais exportada do português, e não é intraduzível como se diz: o que é raro nela é o uso, não a existência.
Curiosidade O galego tem soidade e o catalão, enyorança, com sentidos muito próximos. O romeno dor e o galês hiraeth ocupam terreno semelhante.
Entra como contraponto: aqui o português é a língua que tem a palavra, e outras precisam da paráfrase.
ca-fu-NÉ
carinho feito com os dedos no cabelo de alguém
Um substantivo brasileiro para um gesto específico de afeto, com origem provável em línguas africanas trazidas ao Brasil.
Curiosidade Estudos sobre contato físico apontam que carícias lentas na cabeça e nas costas ativam receptores específicos da pele, o que explica o efeito relaxante do gesto.
Nomeia um gesto de afeto, não um sentimento, mas ocupa em português o lugar que outras línguas deixam vazio.
Nenhuma palavra deste ranking no idioma escolhido.